Jardins de chá Verde

quarta-feira, setembro 10, 2014



Assim como existem pessoas que adoram chá (grupo no qual me incluo), há também os que não gostam. Mas é fato que o chá é a bebida mais consumida no mundo, pois faz parte dos hábitos diários de vários povos. Mas a beleza das plantações de chás, agrada até mesmo aqueles que não apreciam a bebida. Esse post é sobre a beleza destas plantações que mostrarei através das fotos que entremeiam o texto e também sobre algumas particularidades sobre a história do chá e sobre as incríveis propriedades medicinais do chá verde.


Há uma lenda chinesa que diz que no ano de 2737 a.C. o imperador Shen Nung, teria descoberto o chá acidentalmente. O imperador que por razões de higiene só bebia água fervida, descansava perto de uma árvore de chá quando algumas folhas caíram no recipiente onde ele havia posto a água para ferver. Ao invés de tirar as folhas, ele as observou, viu que elas produziam uma infusão, decidiu prová-la e achou a bebida saborosa e revitalizante. Assim, conta a lenda, que foi descoberto o chá. Não há registros ou provas históricas de que tenha sido efetivamente desta forma ou de que foi o imperador Shen Nung, o "descobridor" do chá, mas é fato que os chineses já produziam e bebiam o chá desde a antigüidade.

Na Asia, as plantações de chá chamam a atenção  ao desenharem as paisagens com  formas que parecem deslizar pelas encostas das montanhas criando cenários ondulantes e inigualáveis através da cobertura verde e delicada das milhares de Camellias sinenses, a planta originária dos principais chás.


Japão, India, Coréia, Malásia, Srilanka e Vietnam possuem em muitas das suas paisagens verdadeiros Jardins de chá de surpreendentes belezas. São destas regiões as fotos selecionadas para esse post, com destaque para as da província Shizuoka , Japão, cuja paisagem é um cartão postal do local com as plantações de chá aos pés do Monte Fuji.


A Camellia sinensis é o "Chá"

Quando se fala em chá verde não significa que a cor do chá é necessariamente verde, mas sim que esse tipo de chá não é fermentado, diferentemente dos chás pretos que são bem fermentados e dos chás oolong, que são semi-fermentados porém, todos originados da mesma planta: a Camellia sinensis.


O chá verde é proveniente da planta perene, do tipo arbustiva, a Camellia Sinensis pertencente a família das Teáceaes (Theaceae). Originária, do sudeste Asiático, a planta produz economicamente por mais de 50 anos. No Brasil, o arbusto é cultivado principalmente na região do Vale da Ribeira, no Estado de São Paulo.


A Camellia sinensis, passou a ser bastante estuda pelos cientistas devido a sua composição. Rica em compostos como catequinas, bioflavanóides e taninos que conferem ao chá uma boa atividade como antioxidante, a Camellia sinensis ajuda ainda, no combate dos radicais livres, auxiliando na prevenção de várias doenças, entre elas o câncer.


Todos os tipos de chás verdes tem como característica principal o processamento rápido das suas folhas para evitar o processo de fermentação natural. E, no caso dos chás verdes japoneses, o que lhes dá o sabor característico é o fato de que as folhas são passadas no vapor, o que evita a oxidação, preserva a cor natural da folha e confere um sabor suave de fundo amargo. Em seguida as folhas são enroladas, desidratadas e posteriormente picadas ou moídas, transformando-se nos chá que compramos nas lojas.


O chá verde é assim chamado, porque as folhas da Camellia sinensis sofrem pouca oxidação durante o processamento. Muito popular na China e no Japão, há pouco tempo começou a ser consumido com maior freqüência no Ocidente, sendo muito valorizado em decorrência das suas diversas propriedades.


A preparação do chá verde difere um pouco dos chás tradicionais. A água não deve estar fervendo, pois do contrário, as folhas acabam sendo cozidas proporcionando assim, um gosto amargo à bebida. Mas seu preparo é simples:

  • Faça uma infusão com uma colher de sopa rasa da erva para cada xícara de água quase fervente (antes de entrar em ebulição). 
  • Depois de colocar a água quente, o tempo de infusão não deve ultrapassar três minutos.

Propriedades do Chá Verde:

  • Aumenta no cérebro os níveis de dopamina, uma substância responsável pelo controle do metabolismo. Em maior quantidade ela acelera a queima de calorias.
  • Diminui cerca de 40% a absorção da gordura dos alimentos consumidos. Isso acontece porque o chá verde é rico em polifenóis. Eles interferem no processo em que as moléculas de gordura são quebradas, na digestão.
  • Outras substâncias presentes no chá, como as catequinas, contribuem para o equilibrio  dos níveis de insulina e cortisol. Esses hormônios estão envolvidos com a estocagem de gordura na barriga.
  • Pesquisas mostram que o chá verde melhora a ação da peptina, conhecida como hormônio anti-fome.
  • Ele ainda desintoxica o organismo, facilita a digestão, previne contra o envelhecimento precoce, reduz o colesterol ruim e melhora a memória.
  • Bom, né?


Agora, a pergunta que não quer calar:

Se o chá é uma bebida que vem da planta Camellia Sinensis, como  ficam os outros chás, como o chá de Camomila e o chá de erva-doce?

Na Europa ocidental, não havia o chá propriamente dito, por isso importava-se e até hoje, importa-se o produto. Mas havia outras ervas e frutas locais das quais se podiam produzir infusões, como a erva-doce, a hortelã, a camomila, a maçã, a pêra, as frutas vermelhas, etc. que obviamente tem sabores e propriedades diferentes da Camellia sinensis. Mas, como o processo de se obter a bebida é o mesmo, tudo quanto é fusão em água quente passou a ser popularmente chamado de chá.

Questão de nomenclatura?

A questão não é meramente linguística. O chá da Camellia Sinensis possui cafeína, um estimulante da função cardiovascular e da circulação sangüínea, mas diferente da cafeína do café, que é rapidamente absorvida pelo corpo, a cafeína do chá é absorvida de forma mais lenta. A cafeína em si não é prejudicial à saúde, pois é bastante recomendada desde que não tomada em excesso. E é curioso observar a tamanha complexidade da composição química da Camellia Sinensis, que é impressionante constatar a variedade de sabores e aromas que só um tipo de planta pode gerar. As infusões herbais em geral não têm cafeína, não possuem um leque de sabor e aroma tão variado quanto o chá.


Existe uma dica linguística que  permite diferenciar um chá de uma infusão herbal. Nas infusões herbais a palavra chá é sempre seguida "de" alguma coisa. Por isso nas embalagens lê-se: "chá de camomila", "chá de boldo", chá de erva-doce", etc. O mate é um caso a parte, embora muitos achem que o mate é chá, ele é uma erva diferente, e o correto é não usar nas embalagens a palavra "chá" mate, e sim, só mate. Já os chá derivados da Camellia Sinensis, são descritos por tipos ou apelidados de acordo com a sua origem, e nas embalagens, não se usa a expressão "de". Assim, o chá pode ser descrito pelo tipo como, "chá verde", "chá oolong" ou "chá preto".


Sobre Chás, se você quiser se aprofundar mais no assunto, uma dica é o livro: "O guia do chá" - de Jane Pettigrew, especilista em chás e infusões, onde ela ensina que "chá" é tudo que contém Camellia sinensis, o resto é infusão de ervas, frutas ou flores.

Abraços,
Sejamos Felizes!

Lembrou de alguém que gostaria desse post? Espalhe essa idéia! Compartilhe!


Fontes: istoejapao.com; culturajaponesa.com; cha-verde.com; imagens: web.

Leia também!

0 comentários

Todo comentário construtivo é bem vindo.
No entanto, comentários ofensivos, preconceituosos, mal educados ou incompreensíveis, serão apagados.
Comentários que sejam spam ou propaganda, que não tenham a ver com o conteúdo do post ou do blog, também serão apagados.
Se quiser contratar um serviço, utilize a página de Contato.

Obrigada pela visita!

Google Plus

Like us on Facebook

Quote do dia

"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)