Faça Amor, não faça Guerra!

segunda-feira, junho 02, 2014


O ditado "Faça Amor, não faça a guerra", ficou famoso durante o período mais intenso da contracultura, entre os anos 60 e 70. Na década de 60, os hippies já sabiam que o amor livre era melhor do que a guerra. A partir daí, muitas manifestações artísticas e emblemáticas como o musical "Hair" e o protesto pela paz "Bed-In for Peace" de John Lennon e Yoko Ono, levantaram a mesma bandeira por trás da idéia apoiada pelo slogan: "Faça amor, não faça guerra", que está no ar por mais de meio século. Mas, infelizmente, o conceito ainda não se fortaleceu o bastante para sensibilizar muitas pessoas pelo mundo que ainda preferem a guerra ao amor.

"Todos desejam a paz, porém muito poucos desejam as coisas que resultam dela." (Thomas à Kemps)


A frase de Thomas Kemps é certeira com relação ao valor da paz e a aceitação de suas conseqüências pela humanidade. Não faltam na história, exemplos de guerras decorrentes dos mais diversos conflitos entre os homens, assim como, felizmente e cada vez mais, muitas manifestações em prol da paz, como o que tem ocorrido na terra do deserto árido da região onde fica a aldeia palestina de Bil'in, perto da cidade de Ramallah, Cisjordânia, onde um jardim curioso formado por flores plantadas em estruturas de bombas de gás lacrimogêneo, destaca-se como um oásis único.


Este jardim foi formado através do preenchimento de uma área com fileiras de plantas cultivadas em bombas de gás lacrimogêneo recolhidas nas áreas de confronto, após sua utilização por soldados israelenses nos protestos contra o muro de separação da Cisjordânia. De acordo com os moradores, "o Jardim único, transmite a mensagem de que a vida pode brotar da morte, como os novos brotos que florescem em objetos que foram usados para ferir e matar."


Além do seu significado simbólico, o Jardim tornou-se uma espécie de memorial, pois também comemora a perda de muitas vidas na luta dos palestinos pela sua terra. Sabiha Abu Rahmeh, que cuida das plantas, lamenta a perda de seu filho Bassem, um líder do protesto que foi morto por uma granada de gás lacrimogêneo lançada pelas forças israelenses em 2009.


A medida em que os moradores honram Bassem e as outras vitimas, eles passam a usar o eclético vaso incorporando-o nas terras que a palestina conseguiu recuperar após dois anos, numa batalha judicial que redirecionou a barreira de separação de Israel. Mas, infelizmente, os moradores de Bil'in se envolvem em protestos semanais contra a construção da barreira que já atingiu 60% das suas terras. Estes protestos, acabam muitas vezes em repressão violenta por parte das forças israelenses, aumentando ainda mais a coleção de bombas de gás lacrimogêneo utilizadas nestes conflitos, que são adicionadas à resistência pacífica do Jardim memorial do vilarejo.


Como vemos, nem o forte significado que este jardim tem para os moradores de Bil'in, se tornou suficiente para cessar os conflitos que geram tantas perdas. É triste constatar, mas o ser humano tem uma tendência, confirmada historicamente, de geralmente, resolver seus conflitos de interesses através do uso da violência.


A violência humana, aliada ao terrível papel que a indústria armamentista exerce sobre ela, só geram riscos da sua própria progressão para a sociedade, resultando em perdas irreparáveis.


Atualmente a guerra mata mais civis do que militares através da perversidade das operações que geram danos irreparáveis ao ser humano decorrentes da massificação das armas de fogo.


Muita coisa já mudou na história da humanidade, mas há ainda muito o que conquistar com relação a Paz que embora desejada, ainda vem sendo sobrepujada pela violência em muitos âmbitos da sociedade. Nesse sentido, fecho o post com a declaração de Yoko Ono, que ao disponibilizar o documentário Bed-In de 1969, na internet, escreveu este pequeno comunicado em seu site:

"Caros amigos,
Em 1969 o John e eu éramos tão ingênuos de pensar que um protesto na cama ajudaria a mudar o mundo. Bom, talvez tenha ajudado. Mas, na ocasião não sabíamos disso. Ainda bem que nós o filmamos, pois o filme é poderoso agora. O que falamos lá atrás, poderia ser dito agora. Na verdade há coisas que dissemos no filme que pode encorajar e inspirar os ativistas de hoje. Boa sorte à todos nós. Vamos nos lembrar que a guerra pode acabar se a gente quiser. Cabe a nós e a ninguém mais. John iria querer dizer isso.

Com amor Yoko."

"Paz não é a ausência de guerra; é uma virtude, um estado mental, uma disposição para a benevolência, confiança e justiça." (Baruch Spinoza)

Abraços desejosos de que, cada vez mais, possamos disseminar convicções humanistas e pensamentos pacifistas a favor do desarmamento em prol da paz e da vida humana.

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Fonte: my modern met; reddit; the guardian.

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"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)