Arquitetura para a Humanidade

quinta-feira, junho 19, 2014



A Arquitetura para a humanidade é uma organização sem fins lucrativos, através da qual, muitos profissionais ligados aos setores da arquitetura disponibilizam, voluntariamente, seu tempo e talento para ajudar quem mais precisa de um espaço para sobreviver em qualquer parte do mundo.

Criada pelos arquitetos Cameron Sinclair e Kate Sthor em 1999, a AFH (Architecture for Humanity), atualmente é responsável por ajudar todos os anos, uma média de 10 mil pessoas em situações de perda de suas moradias em decorrência de guerras, catástrofes e grandes desastres naturais como, terremotos, tsunamis, furacões, etc.

Casa construida no Sri Lanka, fortalecida com materiais locais, depois do tsunami de 2004

Com ideais humanitários, Sinclair e Kate, ao verem o vídeo sobre a guerra do Kosovo (ex-território da Iugoslávia atacada em 1999 pela Otan), que gerou mais de 70 mil refugiados que perderam tudo, perceberam que o que estas pessoas mais precisavam diante da proximidade do inverno, era de casas para se abrigarem. Sinclair e Kate lançaram, então, um concurso de design de abrigos para as vitimas em Kosovo, e se surpreenderam com as respostas que em poucas semanas, vieram de várias partes do mundo com diversos projetos de edificações feitas desde de borracha reciclada até tendas infláveis.

Projeto que ganhou o concurso em 1999 para habitações para os refugiados de Kosovo. Todo estruturado com paletes.

Daí, surgiu a organização que não parou mais de crescer e ganhar adeptos, contando hoje com mais de 40 mil profissionais engajados nos projetos com fins humanitários. A AFH conta também com investidores dos setores bancários e empresas ao redor do mundo, que doam dinheiro para contribuir com os projetos  derivados dos grandes concursos anuais, cujo foco é atender comunidades que precisam de abrigos em qualquer localidade do mundo.

O Brasil também já foi contemplado com um projeto da AFH, na comunidade do bairro de Santa Cruz no Rio de Janeiro e quem colaborou com esta idéia foi a ONG brasileira Instituto Bola Pra Frente juntamente com o braço social da Nike.

Centro esportivo comunitário - Comunidade de Santa Cruz - Rio de Janeiro - Brasil

Uma característica marcante dos projetos desenvolvidos pela AFH é a sustentabilidade. Quando se trabalha para comunidades em que o ganha pão diário é menos de um real ser sustentável não é só uma questão de moda ou de ser politicamente correto, mas sim uma necessidade. Razão pela qual a maior parte dos projetos preza por soluções "verdes" nas construções como, por exemplo, o melhor aproveitamento possível da ventilação e luminosidade natural, bem como, a reutilização da água da chuva, que devem ser possíveis e adequadas à comunidade.

Centro comunitário em uma favela em Caracas. Feito com containers e muito grafite.

Segundo Sinclair: "O arquiteto precisa ser meio antropólogo. Sua obra precisa ser bonita, deve orgulhar e inspirar a comunidade a qual vai servir. Mas, uma escola, um conjunto habitacional, um posto de saúde precisam ser bonitos e estimados pelas comunidades. Não adianta arremessar um design do alto, bonito, mas imposto. O processo tem que ser de baixo para cima."

Dormitórios borboletas para um orfanato na Tailândia.

Celebrando 15 anos de existência, Cameron Sinclair passa a Direção executiva da AFH para Eric Cesal, que iniciou sua colaboração com a organização trabalhando como voluntário em 2006 no Biloxi, no Mississipi, contribuindo em seguida na reabilitação de Nova Orleães, e a partir de 2010 , dedicando seu tempo integral à AFH.

Saiba mais sobre a "AFH" AQUI.

Veja a Entrevista de Cameron Sinclair ao Planeta Sustentável AQUI.

Saber que existem pessoas que se dedicam para melhorar a vida de tantas outras... traz uma luz de esperança na bondade humana, potencial que freqüentemente é sobrepujado pelo egoísmo. Pessoas assim mostram que a humanidade pode ter salvação...Suas obras, assim como suas ações têm um lastro de espiritualidade, e,  nesse sentido, fecho este post com as palavras de Joaquim Cardoso que sempre afirmou sua crença em uma arquitetura espiritual capaz de concretizar o espírito de uma época e a visão de mundo de um povo.

Na arquitetura estão inscritas as vontades mais puras e duradoura dos corações dos homens. A história da cultura e da sociedade repousa em grande parte nas formas arquitetônicas; pois a vontade de um povo se manifesta nas formas dos templos de seus deuses, dos palácios de seus reis. Quando uma civilização desaparece, no imenso decorrer dos tempos, somente nas pedras dos edifícios desmantelados é que se vão encontrar os marcos dessas culturas e, na diferenciação dessas pedras, na maneira de erguê-las ou agrupá-las, é que estão as diferenças das raças, dos povos e das culturas. É por isso que podemos dizer que a primeira história, a primeira literatura, foram escritas na pedra, nos muros e nas colunas, nas arquitraves e nas abóbodas. Desde a antigüidade os muros das construções foram os primeiros órgãos de informação, resumos da vida social dos povos; o primeiro papel aonde se inscreveram as páginas da história; o papel aonde ainda se inscrevem as mensagens para o futuro. E escrever essas mensagens cabe ao arquiteto.

Ilustração Ana Aragão

Abraços,
Sejamos Felizes!


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"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)