A antiga técnica e novos conceitos para habitações do futuro

quarta-feira, abril 30, 2014


O termo Arborsculpture foi cunhado pelo artista Richard Riemes, cuja obra "Paz na Cherry" é um dos seus trabalhos mais famosos feito com uma árvore de cerejeira que carrega o logotipo universal da paz.


Arborsculpture ou Shaping tree, é uma forma de Arte que faz uso de árvores vivas para fazer esculturas maravilhosas. Também conhecida como Biotecture, Grow mobiliário ou simplesmente árvore escultura, a técnica envolve o crescimento e formação dos troncos de árvores ou outras plantas lenhosas através de enxertia ou poda, com cultivo direcionando os troncos ou galhos para se obter formas ornamentais ou utilitárias.

Galhos de árvores e troncos tem a capacidade única de se unir por enxertia, técnica na qual as novas formas são mantidas quando novas camadas de madeira crescem ao longo das mais velhas. São várias as técnicas usadas pelos artistas dessa modalidade de Arte, e vão desde o instantâneo Shaping ou Arborsculpture, passando pela Cultura Aeroponic, até o Gradual Shaping através do qual, árvores são cultivadas a partir de mudas para a finalidade especifica de se criar um objeto de design.


A Arte de se moldar árvores é secular, e tem suas origens na Índia, onde a técnica era desenvolvida para a construção de pontes feitas de raízes vivas.


Alguns dos escultores contemporâneos de árvores mais conhecidos incluem artistas como Pooktre Peter Cooky e Becky Northey, conhecidos pelas esculturas de árvores em forma de pessoas.


O que chama mais a atenção na técnica Shaping árvore, não é sua utilização para produzir uma forma de Arte inusitada, mas sim o fato de ser estruturalmente mais avançada do que a construção com madeira serrada. Isso ocorre porque as árvores e plantas vivas são mais resistentes à deterioração, ou seja, se deterioram de dentro para fora, enquanto a madeira morta se decompõe a partir do exterior. Mas, a maior parte do tecido da madeira viva como a seiva, é completamente resistente a deterioração tanto do lado de fora como no interior.


Embora todas as árvores possam ser usadas para esse fim, muitos designers preferem as que tem o crescimento mais rápido e que são menos propensas aos danos causados por insetos ou doenças. As árvores mais usadas são: Bordo, White Birch, Willow, Figo, Poplar, Carvalho, Cerejeira e Goiaba. Imagine ter uma destas em casa.


Agora, imagine uma sociedade baseada na agricultura de árvores vivas, cujos crescimentos de seus galhos e troncos, são direcionados e trabalhados em forma de tramas ou redes que estruturam habitações, no lugar da produção industrial de madeira extraída para esse mesmo fim. Esse é o conceito de habitação para o futuro. Diferente do futuro profetizado em muitas obras de ficção, onde vemos um mundo estéril e sujo entre acúmulos de destruição, esse futuro prevê o regresso do homem como o filho pródigo para "Gaia", refazendo e ressignificando a vida em perfeita integração com a Natureza.


Mas mesmo em perfeita integração com a Natureza, o homem precisa de um lugar para morar nesse futuro verde. E para as habitações do futuro muitos especialistas entre arquitetos paisagistas, têm se dedicado com projetos diversos dentre eles, a "casa viva", que nada mais é do que uma habitação feita de árvore viva.


Como já sabemos, existem casas constuídas em árvores, casas apoiadas em árvores, e casa feita com madeira extraída de árvores, mas casa feita de árvore viva, ou seja árvores enraizadas, e não árvores derrubadas para a extração de madeira, é algo que embora pareça novo, está embasado na antiga técnica da Arborsculpture, que mistura a arte de tecer com a enxertia em conjuntos de árvores para formar as estruturas das casas vivas. Esta técnica é a mesma que o arquiteto paisagista alemão Rudolf Doernach, denomina de Biotectura, e  utiliza para criar estruturas (com finalidade de habitações) consideradas auto sustentáveis em decorrência da formação dos ramos, que após o plantio, esteja completa e ainda continue a crescer por conta própria necessitando de energia externa mínima. Esse crescimento extra possibilita a ampliação da habitação.


Doernach é o principal arauto daquilo que se chama Biotectura, uma fusão de arquitetura, ecologia e biologia aplicada na reintegração da Natureza ao ambiente urbano. Grande defensor da necessidade de reintegração do homem com o meio natural, Doernach tem dedicado sua vida à pesquisa e idealizações de projetos que vislumbram um futuro onde a Natureza seja valorizada por tudo que ela sempre ofereceu para a subsistência da humanidade.

Seu trabalho têm influenciado muitos profissionais de diversas disciplinas, cujos pés estão fincados na atualidade, mas os olhos estão preocupados em como esta realidade atual já afeta o futuro gerando grandes dilemas e desafios. No âmbito da arquitetura, o novo termo "Ecotecture", que é uma linha da arquitetura voltada para a ecologia e sustentabilidade, o grande dilema dos Arquitetos é alimentado por diversas questões decorrentes dos muitos problemas ambientais que têm assombrado populações em varias partes do mundo. Considerações sobre estimativas indicativas de que as atividades de construção e demolição constituem 70% do lixo total global, e que a maioria dos programas de construção poderiam ser satisfeitos por edifícios pré-existentes, geram os muitos questionamentos que fazem parte deste dilema.


Ecotecture é a arte e a ciência de projetar sistemas humanos que estão integrados, funcional e estéticamente, com os ecosistemas naturais. E nesse sentido, para os arquitetos "verdes", trabalhar com Ecotecture é fazer perguntas mais profundas, para que dentro do contexto atual, encontrem soluções ideais, que sejam menos agressivas ao meio ambiente. Esses arquitetos preocupam-se em criar as melhores possibilidades para as gerações atuais sem deixar de considerar as gerações futuras.

Muito já se provou sobre o quanto a natureza é essencial à vida humana. Ela sempre foi o esteio de nossa existência, e poderá vir a ser também a nossa salvação. Mas, para isso,  não devemos à ela apenas veneração, devemos sobre tudo, cuidado e zelo, para que no futuro, a humanidade possa coexistir com o verde e todo o colorido existente na Natureza num mundo mais amigável para todos.

Abraços,
Sejamos Felizes!


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Fontes: inhabitat; rainforestinfo.org; erathstream.ca; gaiaecotecture. Imagens: web.

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"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)