Desnatureza

segunda-feira, março 31, 2014



Ao ver as obras monumentais e abstratas do artista contemporâneo brasileiro Henrique de Oliveira, penso na essência de tudo que não tem explicação como o tempo. Aliás, a "desnatureza" da falta de sentido representacional, do que quer que seja objeto da nossa realidade concreta exterior, é abstrato como tudo que existe só na idéia ou no conceito.

Desnatureza - Henrique Oliveira - 2011 -  Galerie Vallois - Paris - França

A vida e o Universo confundem-se com a própria essência do tempo. O tempo que, por sua vez, é sem começo nem fim, sem essência, sem natureza ou desnatureza, até mesmo sem medida. A vida é como o tempo. (Augusto Branco)
A Arte Abstrata ou Abstracionismo é um estilo artístico moderno em que os objetos ou pessoas são representados em pinturas ou esculturas, através de formas irreconhecíveis, ou seja, fora do formato tradicional identificado em paisagens e realismos. Ao invés disso, as relações formais entre cores, linhas e superfícies são usadas para compor a "realidade" da obra de Arte de uma maneira não representacional.

A Arte de Henrique Oliveira, é complexa e abstrata e, segundo  ele, as formas que cria são intuitivas sem um propósito ou mensagem clara, porém lembram grosseiras pinceladas em uma tela e são repletas de organicidade que remetem a visceras de um organismo vivo.

Originalmente um pintor, Henrique Oliveira começou a fazer suas esculturas, algumas das quais parecidas com raízes gigantescas, que parecem surgir estourando pisos e paredes e invadindo os espaços que as abriga através do sugestionado crescimento vertiginoso. Suas esculturas tridimensionalmente gigantescas, são cobertas com lâminas de tapumes velhos, descartados das muitas construções civis da cidade de São Paulo. Utiliza ainda para dar forma às suas esculturas, tubos de PVC que são revestidos com as lâminas dos tapumes já em estado de deterioração, que é quando ocorre a separação da estrutura em várias camadas de múltiplas cores.

Seu objetivo com a exploração da fluidez e as combinações de material é evocar a relação entre Natureza (elemento) e o Urbano através do contraste entre construções orgânicas e estruturais. Trabalhando em vários meios como a pintura, escultura e instalação, o artista cria um tipo de arte híbrida que expressa antropomorfismo arquitetônico.

Cada um de nós ao ver uma obra de Arte, principalmente abstrata, temos nossas próprias impressões que inferem em significados diversos. Muitas vezes vemos aquilo que outros não vêem. Como nas obras de Henrique de Oliveira, enquanto para alguns ela remete a elementos da Natureza como estruturas de árvores e raízes, para outros ela lembra amebas e vísceras.

Veja as imagens de algumas obras de Henrique Oliveira que selecionei e perceba suas próprias impressões...

Sem titulo (pincelada) - 2011 - Boulder Museum of Contemporary Art, Boulder - EUA


Xiloma Chamusquius - 2010


Baitogogo - 2013 - Palais de Tokyo - Paris - França


Tapumes - 2008 - Galerie Vallois - Paris França


Bololo 2011- Smithsonian National Museum of African Art - Washington DC - EUA


Bololo 2011- Smithsonian National Museum of African Art - Washington DC - EUA



Com um vastíssimo currículo internacional, Henrique Oliveira é conhecido mundialmente. Saiba mais sobre este impressionante artista no seu Website.
"No fundo, a forma torna-se esteticamente válida na medida em que pode ser vista e compreendida segundo múltiplas perspectivas, manifestando riqueza de aspectos e ressonâncias, sem jamais deixar de ser ela própria."
Abraços,
Sejamos Felizes!


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"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)