Árvores culturalmente modificadas

quinta-feira, janeiro 23, 2014




Uma árvore culturalmente modificada é um termo da arqueologia para designar modificações ocasionadas pela ação humana em árvores. Modificações que podem ser árvores despojadas de casca, podem ser pedaços de troncos, árvores derrubadas, lenha e até tábuas. Mas, dentre as árvores modificadas culturalmente, as que tem chamado a atenção de pesquisadores e historiadores, é o tipo denominado de "Arborglyph".

A palavra "arborglyph", deriva da junção das palavras gregas: "arbor"(árvore) e "glypho"(esculpir, escrever). Palavra que não é quase conhecida por aqui, mas creio que muitos já viram ou até fizeram inscrições ou desenhos esculpidos na casca de uma árvore.


Arborglyphs são esculturas em árvores como gravação de nomes, datas, imagens e até prosa e poesia, que tem despertado o interesse de historiadores da paisagem. Imagens gravadas em árvores são consideradas registros do passado, que interessam aos historiadores sob o ponto de vista histórico e também artístico. Seus estudos revelam dados sobre costumes de outras épocas através de ações individuais.


Como uma espécie de grafite, constituem uma forma de arte, considerada por alguns uma forma legítima de expressão artística que honram as árvores que as recebem. Enquanto outros, acham que é uma espécie de violação que corrompe as árvores com desfigurações.
Embora a prática nunca tenha sido incentivada, o fato é que a descoberta destas intervenções em grande número de árvores na América do Norte, chamou a atenção dos historiadores que passaram a se dedicar ao estudo destas esculturas para terem uma visão histórica, cultural e étnica mais abrangente com relação ao passado da região.


O arborglyph é considerado uma relíquia botânica que têm uma vida útil limitada pelo tempo de duração que muitas das árvores, cujas características as tornaram escolhidas para estas esculturas, como o Álamo e a Bétula de raramente sobreviverem por mais de cem anos. Isso faz com que os historiadores se empenhem em uma corrida contra o tempo para encontrar e documentar esculturas em troncos de árvores que estão vivendo, ou recentemente mortas, ou ainda preservadas.


O Dr. Joxe Mallea, instrutor de História Basca na Universidade de Nevada, é a principal fonte de informação na Internet sobre arborglyphs e, mais especificamente a ligação basca sobre estudos indicativos que imigrantes bascos das montanhas dos Pirinéus entre a França e a Espanha, que foram para os Estados Unidos entre 1860 e 1930, foram o grupo étnico que mais gravaram em árvores de Álamo, inscrições com nomes, datas, poesia e imagens que registraram seus afazeres naquelas paragens. Segundo as pesquisas , pode-se afirmar que os bascos foram os que mais contribuíram para a prática de esculturas em árvores que qualquer outro povo no Oeste Americano.


Para o Dr. Mallea, que tem documentado mais de 27.000 esculturas em árvores por mais de duas décadas, os arborglyphs não são arranhões aleatórios. São relatos de uma história de uma classe trabalhadora, saturada com a humanidade, escrita pelo próprio povo sem revisão por governantes ou empregadores poderosos a época. "Esta não é uma história por algum acadêmico em uma torre de marfim", diz ele, "é democrática com pés na terra, como a história pode chegar".


O estudo das sociedades humanas é importante não só para conhecermos a nós mesmos mas, também pra melhor compreendermos as pessoas que vivem em outros contextos sócio culturais. Quando temos a oportunidade de conhecer e comparar diversas culturas, por meio de leituras e estudos ou através de viagens, adquirimos consciência da importância da dimensão cultural para nossas vidas.

Abraços,
Sejamos Felizes!


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"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)