Jardins Terapêuticos

quinta-feira, novembro 07, 2013




"A Natureza cura toda a dor. Move tudo com o vento... Sussurra com o canto dos pássaros... Restitui os sonhos e vivifica a alma." (Rakel Carvalho)

Já está comprovado que observar a Natureza faz bem. Tão bem que hospitais e clínicas em diversas partes do mundo já adotam projetos paisagísticos em sua arquitetura, transformando-se em centros de referência com relação aos sucessos alcançados nos processos de cura. Jardins representam mais uma resposta surpreendente para ajudar o nosso sistema de saúde debilitado. Benefícios em níveis de atividades de reduções de ansiedade e estresse são alguns dos resultados positivos.

Um estudo a respeito dos "jardins de Cura", muito citado publicado pelo psicólogo ambiental Roger Ulrich, em 1984, foi o primeiro a aplicar padrões de pesquisa médica moderna para demonstrar que um jardim pode acelerar o restabelecimento após uma cirurgia, curar infecções e outras patologias. Os "jardins de Cura" (Healing Gardens), foram projetados observando o poder restaurador da Natureza que,  Segundo Ulrich, ao exercerem uma função terapêutica, no sentido de reduzir o estresse, auxiliam no tratamento e recuperação de pacientes, diminuindo consideravelmente a quantidade de medicamentos.


Esther Stenberg, médica e neuroimunologista do Instituto Nacional de Saúde Mental (NINH), que considera o trabalho de Ulrich inovador, comenta em seu livro Healing Spaces: the science of place and welbeing, "todos tínhamos a idéia preconcebida de que hospitais eram labirintos barulhentos, desnorteados e malcheirosos. Mas não nos ocorria que esta tensão poderia afetar a cura do paciente..." Passar certo tempo interagindo com a natureza não vai curar um câncer ou cicatrizar uma perna com queimaduras de terceiro grau, mas há evidências suficientes de que isso pode reduzir os níveis de dor e tensão e dessa forma, o sistema imunológico é disparado permitindo que o próprio corpo e outros tratamentos ajudem a curar, comenta Clare Cooper Marcus, professora de paisagismo da University of California, em Berkeley.


Clare Cooper Marcus é professora emérita do departamento de Arquitetura Paisagística da Universidade de Berkeley Califórnia. Formada em Geografia, com especialização em Geografia Urbana e Planejamento, tem sua investigação focada na idéia do desenho paisagístico como vetor de cura e terapia. Combinando aspectos da Gestalt Terapia e algum conhecimento em Jung, Clare é reconhecida nos EUA  como uma das principais autoras em Psicologia Ambiental. Ela mantém uma empresa de consultoria no planejamento de espaços abertos para instituições de saúde. Segundo pesquisa em vários hospitais no norte da Califórnia a professora Clare e o paisagista Marni Barnes, constataram que nem todos os jardins são igualmente eficazes. Em suas pesquisas puderam identificar vários padrões, entre eles, o de que os usuários visitavam os jardins em busca de relaxamento e recuperação da fadiga mental e emocional. As cenas preferidas foram as que possuíam fontes, ou outras formas de água rodeada por árvores frondosas, plantas floridas e vegetação viçosa. A pesquisa, além de coincidir com as descobertas de Ulrich corroboram com a teoria de biólogos evolutivos de que as pessoas preferem cenas que sejam remanescentes das savanas onde os homens evoluíram.

Para a eficácia desses jardins na redução do estresse, Ulrich (2003) propõe em sua teoria sobre design de jardins (Theory of Supportive Garden Design), que espaços dessa natureza devem atuar de forma a promover autonomia de uso, incentivar o contato social, oferecer oportunidades de movimentos físicos e proporcionar oportunidades de distrações naturais. Nesse sentido. em um "Jardim de Cura", para que se promova o máximo de benefícios terapêuticos, é necessário estar atento a uma série de fatores que possam cumprir com eficácia suas funções. Segue abaixo alguns aspectos para que um jardim seja terapêutico:
  • Manter o verde: Paisagens com vegetação viçosa e várias camadas de árvores e flores e arbustos devem ocupar 70% do espaço, enquanto que praças e passeios de concreto devem ocupar 30%.
  • Manter o real: Esculturas abstratas não tranqüilizam pessoas doentes ou preocupadas.
  • Manter o interessante: Árvores frondosas que atraiam pássaros e cadeiras leves que possam ser deslocadas para conversas particulares.
  • Envolver os sentidos: Jardins que possam ser tocados, cheirados e ouvidos parecem ser mais tranqüilizadores. É preciso evitar flores com perfume muito forte para pacientes em quimioterapia.
  • Caminhos: Veredas largas e sinuosas permitem que cadeirantes ou pessoas com deficiência de visão se aproximem da Natureza. Os sulcos nos pavimentos devem ter menos e 3mm de largura para evitar acidentes.

Combinados com o canto dos pássaros e o barulho de água corrente, os jardins contribuem para despertar a visão, a audição e o olfato, provocando o que os especialistas chamam de distração positiva. A idéia de criação dessas áreas surgiu da observação de que a saúde física e mental é influenciada por aspectos do ambiente físico, como sua luz natural, espaço ou som. A implantação de espaços verdes em hospitais humaniza um ambiente geralmente associado à frieza, esterilidade, e até mesmo hostilidade em relação aos pacientes. O contato com a Natureza é capaz de ajudar na recuperação de doenças, estimulando a vontade de a pessoa viver e lutar. Chamada Garden Therapy, ou Hortoterapia, uma eficaz coadjuvante dos tratamentos convencionais, esta técnica combina cultura de plantas e jardinagem ativa e passiva (contemplação). A hortoterapia tem sido utilizada em institutos correcionais, nos casos de dependência química ou alimentar, fisioterapias, doenças mentais, no tratamento de idosos e doentes senis, bem como entre crianças com necessidades espaciais ou não.

Para os mais velhos, a jardinagem possui um efeito extraordinário, pois estimula a ação e exercita a coordenação mãos-olhos, melhora a capacidade motora fina, ajudando na abstração do pensamento obsessivo da perda de forças e saúde. O resultado é que eles se sentem não só úteis e produtivos, mas menos tristes e solitários. A evidência dos benefícios terapêuticos, proporcionados pelo aumento de bem estar segundo estudos e pesquisas realizadas, confirma a importância da existência de espaços verdes/naturais em hospitais, trazendo à luz a necessidade de que os especialistas responsáveis pela concepção de projetos pensados para áreas hospitalares, não só reconheçam a importâncias de tais espaços em ambientes dessa natureza, mas também incorporem em seus projetos, as bem vindas áreas de jardins que, além de embelezar e humanizar os ambientes contribuirão para o bem estar físico e psicológico de seus usuários.

Fonte: Scientific American Brasil dentre outras já citadas no texto.

A arte da medicina consiste em distrair enquanto a Natureza cuida da doença. Voltaire

Abraços,
Sejamos Felizes!


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"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)