Madre Terra, nossa esperança...

sábado, outubro 12, 2013




A Natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância. (Gandhi)

Compartilho, nesse post, o vídeo com a Canção da Terra (Teatro Mágico), que sensibiliza através da poética que trata nossa casa comum, o Planeta Terra, amorosamente mas, também traz uma crítica com relação a um sério problema decorrente da desigualdade social. Tanto vídeo como canção são belíssimos, ao assisti-lo não há como não se sentir privilegiado por habitar este Planeta magnífico que nos abriga em meio à uma Natureza rica em fontes que nutrem a vida.


Tudo aconteceu num certo dia hora de Ave Maria o Universo vi gerar... No princípio o verbo se fez fogo, nem atlas tinha o globo, mas tinha nome o lugar... Era Terra, Terra...
E fez, o criador, a Natureza; fez os campos e florestas; fez os bichos, fez o mar; fez por fim, então, a rebeldia que nos dá a garantia, que nos leva à lutar pela Terra, Terra... 
Madre Terra nossa esperança onde a vida dá seus frutos, o teu filho vem cantar... Ser e ter o sonho por inteiro, ser sem-terra, ser guerreiro com a missão de semear à Terra, Terra... 

Mas apesar de tudo isso, o latifúndio é feito um inço que precisa acabar... Romper as cercas da ignorância que produz a intolerância Terra é de quem plantar à Terra, Terra... 

Embora o vídeo tenha um forte apelo ligado ao latifúndio que confirma uma brutal desigualdade social que gera miséria e violência, meu pensamento amoroso por este planeta me remeteu à "Carta da Terra", cuja missão é promover a transição para formas sustentáveis de vida e de uma sociedade global fundamentada em modelo de ética compartilhada, que inclui o respeito e o cuidado pela comunidade da vida, a integridade ecológica, a democracia e uma cultura de paz. Saiba mais sobre a Carta da Terra AQUI.


Quanto ao latifúndio, é uma propriedade agrícola de grande extensão pertencente a uma única pessoa, família ou empresa e que se caracteriza com relação ao uso da terra, abaixo do nível de exploração, baixa capitalização, mão de obra empregada em condições precárias e, consequentemente, com baixa qualidade de vida. O latifúndio tem sido tradicionalmente uma fonte de instabilidade social, pois está associado à grande desigualdade social na qual alguns poucos detém propriedades pouco ou nada produtivas em detrimento de massas de camponeses sem terra e consequentemente sem sustento e sem abrigo. Isso gera intolerância e violência enquanto a sociedade busca soluções que muitas vezes, dependendo do tipo de governo, são truncadas ou ineficientes.

E estes conflitos não são os únicos decorrentes da desigualdade social que ocorre em quase todos os países do globo. Guardadas suas proporções e dimensões, acarreta em seu curso, anomalias sociais que trazem malefícios às populações, anomalias estas confirmadas através de estudos e pesquisas que registram índices elevados de violência, criminalidade, desigualdade racial, guerras, entre outros e tudo isso fruto da ganância exacerbada e egoísta, um dos sentimentos inatos do seres humanos carregados de muitas perversidades que, averiguadas desde o início da humanidade até os dias atuais tem causado muitas dores e sofrimentos à sociedade.


Desde os primórdios da civilização humana temos que conviver com o estigma de que somos seres com imensa capacidade de destruição, do nosso próximo, de nós mesmos e consequentemente do meio que nos cerca. Isso faz parte de um paradigma civilizacional, que sempre explorou os limites humanos e também, em todos os âmbitos, os recursos do nosso planeta: nos solos, nas florestas, nas águas, no ar. E, embora a Terra exista há milhões de anos, sua estrutura é um organismo vivo cuja Natureza sofre com as ações do homem e cobra sua conta mostrando sinais através das mudanças climáticas que ocasionam catástrofes naturais além do assustador esgotamento dos recursos naturais não renováveis.


Se você tiver interesse, o filme documentário "Última Hora", dirigido por Leonardo Di Caprio (2007), mostra que nós somos a única causa da destruição do Planeta. A obra transmite a urgente necessidade de mudarmos nossa mentalidade cultural, pois o ser humano consegue ser extremamente inteligente na criação de novas tecnologias mas esquece de focar e valorizar o mais fundamental e básico que é a preservação do nosso Planeta que poderá salvar o mundo de conseqüências não mensuráveis incluindo a própria extinção da humanidade.

O filme é endossado e legitimado por depoimentos de cientistas, políticos, empresários e personalidades ligadas ao segundo setor, e, cumpre bem seu objetivo em informar para alertar que apesar de todo seu potencial, o ser humano vive em desarmonia com seus semelhantes e que todo desperdício dos recursos naturais coloca em risco a nossa espécie, mas que ainda é possível mudar este panorama repensando nossas ações, hábitos e valores, o que para mim, só será possível tendo como foco principal ou ponto de partida o desenvolvimento de uma Cultura da Paz, ou seja educar para uma convivência pacífica, pois sem isso o homem continuará a destruir.  Saiba mais sobre o filme AQUI.


Concordo com Pierre Weil, fundador da UNIPAZ, que em 1988, elabora uma teoria sobre a gênese da destruição da vida sobre o Planeta e sobre os princípios e abordagens que possibilitam um novo método de Educação pela Paz. Pierre defende a ideia de que a "separatividade é o grande mal do Homem" - "Quando não nos vemos como parte do todo, temos a impressão de que só o outro precisa cuidar do espaço onde vivemos; nós não". E isso só será possível alcançar num mundo onde a justiça social possa proporcionar a cada pessoa meios para viver com dignidade. A partir disso pode-se cobrar conscientização e responsabilidade para que todos ajam de forma coletiva, valorizando a participação de cada um como parte importante numa rede onde a ação de cada um depende da do outro para funcionar. Não basta só termos a consciência de que o Planeta está se deteriorando é preciso reconhecer nossa parcela de responsabilidade com relação ao Planeta que compartilhamos. Pequenas ações individuais somadas geram grandes transformações.


O que eu faço, é uma gota no meio do Oceano. Mas sem ela, o Oceano será menor. (Madre Tereza de Calcutá)

Abraços,
Sejamos Felizes!

Imagens: web/google.


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"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)