O Jardim da Especulação Cósmica

sexta-feira, agosto 23, 2013

A indiferença realmente é fatal e destrutiva seja em qualquer âmbito. Quando nos referimos especificamente, ao "Jardim da Especulação Cósmica", dificilmente o olharemos com indiferença. O próprio nome já chama a atenção por sua singularidade, já o local, é a prova do potencial criativo inerente ao ser humano, cuja criação a partir de temas como fractais, genética, teoria do caos, ondas e sólitons, ciência e matemática, produziu um espaço de contemplação, que como seu criador Charles Jencks diz:"The Garden of Cosmic Speculation é um padrão de paisagem no qual ondas, curvas e dobras permitem que o observador se relacione com a Natureza através de novas metáforas que provocam os sentidos."

Todos os Jardins deveriam ser fechados, com altos muros de um cinza muito pálido, onde uma fonte pudesse cantar sozinha entre o vermelho dos cravos. O que mata um Jardim não é mesmo alguma ausência nem o abandono...O que mata um Jardim é esse olhar vazio de quem por eles passa indiferente.

Mário Quintana



O Jardim da Especulação Cósmica - tem em seus 30 hectares cenários com esculturas criadas pelo arquiteto, paisagista e teórico Charles Jencks em sua casa, a Portrack House, em Dumfries, no sudoeste  da Escócia. O Jardim é inspirado pela ciência e pela matemática, tendo em suas esculturas e paisagismo temas como buracos negros e fractais. Neste jardim, as plantas em si não são abundantes, mas ali  compõem com espaços onde se proliferam fórmulas matemáticas e fenômenos científicos em um ambiente que combina elegância e características naturais com  simetrias artificiais e curvas.




Ao criar, em 1989,  este Jardim, Charles Jencks se distanciou do Paisagismo tradicional para em cima das temáticas exploradas, provocar a reflexão sobre a Natureza de todas as coisas, assim uma das esculturas presente no jardim representa a estrutura de um DNA, enquanto um pequeno monte, chamado de "O Caracol", permite aos visitantes interagirem com a seqüência Fibonacci.


Sobre a referência de Mário Quintana  que "todo Jardim deveria ser fechado..." O Jardim da especulação Cósmica, com 25  espaços de Jardins num complexo que representa a formação do Universo, ocupa uma propriedade particular, permitindo que a visitação só seja feita um único dia por ano dentro do Scotland's Gardens Scheme, um calendário variável de visitação a 40 Jardins privados escoceses (também fechados por muros...), cada um em um final de semana diferente, em que a renda é inteiramente revertida para instituições de caridade.


Em uma declaração, Charles Jencks, refere-se ao poeta William Blake, cuja visão poética "para ver o mundo num grão de areia" encontrando relações entre o grande e o pequeno, a ciência e a espiritualidade, o universo e a paisagem, criam uma espécie de conspiração cósmica, que forneceu inspiração para o seu trabalho, em explorar metáforas que sustentam o desenvolvimento da Natureza e suas próprias leis, em paralelos que enraízam pessoalmente no cosmo, tão firmemente como uma planta, mesmo quando nossa mente escapa desta casa.


Selecionei abaixo alguns trechos da poesia de Blake relacionando-os à algumas fotos do Jardim de Jencks para sua apreciação e inspiração:


Esta é a Natureza do infinito: Todas as coisas possuem seus próprios Vórtices, e quando um navegante da eternidade passa este Vórtice, percebe que se engloba a si mesma como o sol, a lua, ou como um firmamento de constelada magnitude. Entretanto prossegue em sua maravilhosa trajetória pela Terra, ou como forma humana, um amigo com o qual pode-se compactuar luminosamente a existência.


A Terra é uma planura infindável, e não como aparece ao ignóbil transeunte confinado às sombras da lua. o Céu é um vórtice já há muito transpassado; a Terra, um Vórtice ainda intocado pelos navegantes da Eternidade.


E o vasto espaço que o homem contempla em sua morada na cobertura ou Jardim no cimo de uma colina de vinte e cinco pés de altura, é seu Universo; (...) Tal é o espaço denominado Terra tal sua dimensão (...) alteram os parâmetros dos órgãos do espectador, deixando intocados os objetos; (...)


(...) Para mensurar o tempo & o espaço aos mortais a cada manhã, compare-se com este conciso poema de seu caderno de notas: Num grão de areia ver um mundo, na flor silvestre a celeste amplidão, segura o infinito em sua mão e a eternidade em um segundo.

William Blake


Como todo Paisagista, Jencks, sabe que o diálogo com a Natureza é sempre feito em duas vias, e vale a pena explorar as conseqüências não intencionais, respeitando os movimentos naturais na concepção de formas funcionais, poéticas e usuais. Para ele a arte pública deve naturalmente, ser compreensível e comovente, mas acredita que deve também, envolver idéias básicas sobre o Cosmos.


Quando você projeta um jardim, ele levanta questões básicas sobre o que é a Natureza, como nos encaixamos nela, e como devemos dar-lhe formas possíveis, tanto física como visualmente. Algumas destas questões são práticas, outras são filosóficas, e não podem ocorrer sem que deixemos de fora o Jardim, pois estão implícitas.

Charles Jencks

No Jardim da Especulação Cósmica encontramos um universo particular onde a Arte, a Arquitetura e a Paisagem nos inspiram de forma poética na nossa relação com a magnitude da Natureza e em como ela toca nossa essência humana.

Abraços,
Sejamos Felizes!

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"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)