Esculturas naturais

quarta-feira, agosto 28, 2013




A perfeição é feita de pequenos detalhes - não é apenas um detalhe. (Michelangelo Buonarroti)

A poda escultural também denominada "Topiária" pode ser considerada para muitos uma excentricidade, mas o resultado de um trabalho meticuloso de poda escultural, muitas vezes surpreende com uma beleza indiscutível. A topiária é uma técnica que se vale do potencial de algumas plantas cujas estruturas maciças permitem que sejam trabalhadas através de podas transformando-as em esculturas vivas. A união da Arte no sentido técnico e estético e da jardinagem relativa ao conhecimento da planta, seu desenvolvimento e comportamento resultam em trabalhos que despertam a atenção de todos.


Na história dos Jardins esta técnica surgiu na Antiguidade nos Jardins das Vilas Romanas. Aparece posteriormente por volta do séc, XV, na Itália no período do Renascimento no qual a cultura clássica é resgatada e valorizada em todos os âmbitos sendo que com relação a arquitetura, os antigos jardins e parques esculpidos ressurgem com muita força.


A paciência é fator fundamental para construir detalhes esculturais através da topiária. Mas como numa "Obra de Arte", o resultado de acordo com o objetivo, sempre compensa, pois a poda das plantas permite várias combinações diferentes com uma ou mais espécies de arbustos em formas abstratas, geométricas, ou figuras definidas como pessoas, objetos, animais, etc.


Além de compor cenários diversos nos Jardins ou simplesmente delimitar áreas através das usuais cercas vivas, as plantas trabalhadas com topiária podem ser usadas isoladamente como destaque ou para destacar um ponto de atração do Jardim. Há também a opção do uso de plantas cultivadas em vasos.


As espécies que mais correspondem com bons resultados através da topiária, pois possuem crescimento estrutural denso, encontradas no Brasil são:

  • Grupo foliar: Buxus sempervirens - Ilex aquifolum - Ligustrum ovalifolium - Pyracantha spp - Cupressus sempervirens - Ficus benjamina - Ficus microphylla - Pittosporum tobira - Euvonymus japonicus - Heredera helix - Myrtus communis - Rosmarinus officinalis (alecrim) - Taxus.
  • Grupo florifero: Hibiscus spp (hibisco) - Hydrangea paniculata (hortência) - Azalea spp (azaleia) - Fuchsia hibrida (brinco de princesa), estas planta floríferas só permitem o formato redondo conduzido sobre o tronco descoberto e tutorado.

No Brasil, os jardins tropicais de Burle Marx sempre foram avessos às topiárias. Em seus jardins, Burle Marx explorava as forma naturais das plantas em traçados orgânicos sem aceitar qualquer técnica que modificasse estas formas naturais. Já na Europa, a topiária sempre foi elemento constante nos jardins formais ingleses, holandeses, italianos e franceses. E a nível mundial, sobreviveu a má fama que a rotulou como cafona e antiquada, quando ressurgiu nos jardins contemporâneos e minimalistas com suas formas geométricas, simples ou abstratas que conferem modernidade aos ambientes.


A topiária teve um upgrade na década de 60 através da técnica "stuffed", desenvolvida pelos americanos, que consiste na utilização de suportes revestidos com trepadeiras, ervas e gramíneas contribuindo para que novas formas se tornassem possíveis  de se obter com maior variedade nas cores e texturas das esculturas vivas. A topiária feita desta forma se tornou muito mais prática e rápida de ser realizada, popularizando-se através dos jardins dos parques de Walt Disney.


A história da topiária sempre mostrou que ela nunca deixou de ser uma forma de Arte que exige paciência e detalhismo e que sua presença no paisagismo sempre contribuiu para provocar admiração pelas formas concebidas, não só através das plantas, mas também através das mãos humanas.


Ainda no Brasil, algumas localidades possuem espaços com jardins que se destacam com trabalhos de topiária como na cidade de Batatais no Estado de São Paulo, Monte Sião, no Estado de Minas Gerais e Victor Graeff, no Rio Grande Do Sul.

Abraços,
Sejamos Felizes!

Imagens: Web/google.



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2 comentários

  1. Me fez lembrar o filme Edward, Mãos de Tesoura. rs

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  2. Que boa lembrança! No filme, o personagem "Mãos de Tesoura", mostra de forma poética um pouco sobre o que a poda escultural pode fazer num jardim: formas belas que chamam a atenção dos olhos e tocam o coração...

    ResponderExcluir

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"Eu agradeço pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou... Pela capacidade de me olhar mais devagar... já que muita gente já me olhou depressa demais. Olhe devagar cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Entre cascalhos disformes, estranhos diamantes sobrevivem solitários. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos. A beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins."
(Pe. Fabio de Melo)