A Amazônia é Nossa!

sábado, julho 06, 2013





É triste pensar que a Natureza fala e que o gênero humano não a ouve.           (Victor Hugo)

Se a Amazônia é nossa, por que não cuidamos dela? Pergunta que não quer calar... como tantas outras de tantos brasileiros que parecem estarem, pouco a pouco, sendo despertados pelo direito conferido a todos  pela democracia e, nesse despertar, mobilam-se manifestando opiniões e descontentamentos a respeito de tudo que tem nos atingido através das várias medidas estabelecidas por nossos governos. Aproveito esse momento de despertar, trazendo à este post, o discurso que Cristóvam Buarque fez sobre a "Internacionalização da Amazônia",  e que já circula na internet há mais de uma década, para chamar a atenção para o que muitos já sabem que tem acontecido por lá, mas parecem não se importar tanto, talvez porque a Amazônia esteja muito distante de seus universos cotidianos, e deste modo, acabe existindo só no imaginário de muitos brasileiros.


Durante um debate em uma Universidade, nos EUA (setembro/2000), o ex-ministro da Educação, o Senador Cristóvam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia quando um jovem estadunidense introduziu sua pergunta observando que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo Cristóvão Buarque, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como ponto de partida para sua resposta que foi a seguinte:


"De fato como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização como também a internacionalização de tudo o mais que tem importância para a humanidade.


Se a Amazônia, sob a ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.


Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um País. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.


Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas a França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um País. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.


Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldade em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso eu acho, que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasilia, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.


Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA, até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.


Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de COMER e de ir a escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia.


Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só Nossa!"


Este discurso causou impacto nos EUA e tornou-se um dos mais importantes entre os 100 discursos históricos brasileiros publicados no livro de Carlos Figueiredo. Não é para menos, pois esbarra no sentido de patriotismo e dignidade que o povo brasileiro deve ter, levando ainda a reflexões que não devem jamais perder sua validade. Todo o interesse mundial pela região da Amazônia não é por pouco, tristes constatações revelam que, o interesse de todas as nações pela floresta não é o de preserva-la, mas sim explorá-la economicamente. Não é para menos, pois a Amazônia tem potencial para transformar o Brasil na nação mais rica do planeta. Abriga 30% da biodiversidade da terra, um terço das florestas latifoliadas e a maior bacia de água doce do mundo. Considerada a maior reserva de biodiversidade do planeta, a Floresta Amazônica compreende uma área de 7 milhões de Km2, dos quais aproximadamente 70% estão no Brasil, enquanto os outros 30% são divididos entre Venezuela, Suriname, Guianas, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador. Mas no atual ritmo de destruição da Amazônia, a floresta e a rica biodiversidade que ainda resta, serão drasticamente reduzidas dentro de poucas décadas, da mesma forma como aconteceu com a Mata Atlântica, que atualmente possui em torno de 7% da sua cobertura original, sem esquecer o que já está acontecendo com as obras para construção da Usina de Belo Monte. Saiba mais sobre os impactos ambientais nocivos ao meio ambiente causados pelas obras da usina de Belo Monte - aqui - e também - aqui.


A Floresta Amazônica, não pode, ela própria, entrar na justiça contra os desmatadores. Nós é que temos que fazer isso. (Marina Silva)

Não basta apenas dizer que a Amazônia é nossa, é preciso desenvolver um interesse real por ela, pois ter algo, ser dono de algo, implica em ter que cuidar para não perder nem deixar que outros se apropriem do que está abandonado ou esquecido. De nada adianta ter orgulho ao saber que a Amazônia considerada como "Pulmão do Mundo", é nossa se no dia a dia testemunhamos sua devastação através dos noticiários sem que nenhum sobressalto nos assole, como aquele que nos atinge quando estamos perdendo algo que nos pertence e que nos é valioso e querido.  Tem muita gente que considera todo este assunto como papo de eco chato, mas se as tendências atuais continuarem, a Amazônia deixará de ser nossa para não ser de ninguém... poderá sim, ser em breve apenas uma lembrança...


Abraços desejosos que todos deste país "Gigante pela própria Natureza", possamos também nos agigantar para defender o que queremos que seja Nosso!

Imagens: web/google.



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(Pe. Fabio de Melo)